rascunhos
  • ontem conheci um louco

    Não dava nada por ele. Em termos de loucura, digo. Depois da conversa, já não diria. Falou-me de dor, contou-me sonhos incontáveis, e confessou-me o inconfessável. Só podia ser louco. Ou isso ou maluco.  Aborrecido não era com certeza. Previsível menos ainda.  Uma caixa de surpresas, de… ler mais

  • coelho não, cordeiro

    Imaginem que alguém, há 15 anos, previu o que iam fazer numa noite fria de dezembro em Lisboa. Aconteceu ontem. Não foi bem assim. Não sabia que era dezembro, nem Lisboa, nem 2025. Mas sabia o que iam fazer. Porque assim o determinou. Se alguém na rua te parar e te pedir para imitares uma avestruz,… ler mais

  • acordar (fds #1)

    Acordo inconsciente.  Um silvar de água a correr pelos canos entra-me na cabeça.  Com os olhos ainda fechados, tento descortinar de onde vem. Um autoclismo a encher, uma torneira aberta por trás da parede.  O som acorda uma dor de cabeça. Cerro o sobrolho. Hesito em abrir os olhos.… ler mais

  • dever d'acção

    Ao direito à indignação tem que vir acoplado o dever da ação. É isto. Simples. Mas vamos por partes. Temos o direito à indignação. Certo. Exigimos, lutamos pelo dito. Com que direito? Com o direito de lutar pela nossa existência, pelas nossas exigências, pelos nossos direitos. Temos o direito de… ler mais

  • não se passou comigo

    Queria contar-te uma história. Não se passou comigo, mas aconteceu. Digo isto para que percebas que não é uma confissão ou um diário. Aconteceu mesmo, mas não comigo. Aconteceu há uma semana. Ou foi um mês, ou um ano. Não interessa, aconteceu no passado, por isso te conto. Podia contar-te sobre o… ler mais

  • meta-prefácio

    (ou prefácio ao Livro dos Prefácios) Nunca li prefácios. Raramente, vá. Sempre me irritaram. O prefácio fica entre a nossa intenção de ler o livro e o livro em si. Se é escrito pelo próprio, é inadmissível. Quer explicar-se? Ou explicar-nos ao que vem? Quer desculpar-se? Ou subir ao púlpito para… ler mais

  • liberdade

    Fui ver. Era a Liberdade. Queria sair. Queria ser. Fazia barulho.Chamava.Gritava.Esperneava. Queria ser livre.Livrar-se das amarras.Libertar-se dos grilhões. Li ber da de Veio com vontade.Porque já tem idade.Não quer ficar presa.Não quer ser presa.Tá tudo na mesa. Mesma.Lesma. PS: deviamos pensar… ler mais

  • rasgo

    Rasgo o rascunho que contem a verdade que nao consigo encarar.O rascunho ficou depedaçado com a verdade que dilacerava a realidade. Num rasgo, desfaço o edificio do meu ser.Parto-lhe as pernas. Num movimento circular, varro os alicerces, para que caia. Parti, e cais.Cais, verbo. Se fosse… ler mais

  • solitário não

    Empático introvertido O que quer estar no seu canto. Mas sabe que os outros não.  Vive entre o conforto do seu canto e o desconforto que os outros o vejam como isolado.  Solitário não, palavra. Deixem-me estar. No meu lugar. No meu canto. Deixem-me. Solidão é uma forma de liberdade.… ler mais

  • o outro

    Podes amar o outro. Podes odiar o outro. O que não podes é querer mudá-lo.  Podes. Mas espera-te o confronto e a frustração.  O outro é outro porque não somos nós.  Só nos podemos mudar a nós. E ninguém nos pode mudar senão nós. Esta ideia pode parecer limitadora. Afinal gostávamos… ler mais

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uns vão para o lixo, outros nem por isso

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